Governo assina protocolo para o uso do padrão ODF nos documentos oficiais
Os principais órgãos, bancos oficiais e empresas estatais de processamento de dados federais, assinaram nesta quarta-feira, 27/08, um "Protocolo de Intenção para Adoção do Open Document Format - ODF", em contraponto à decisão da ISO que, recentemente, também aprovou o padrão OXML, da Microsoft, como formato de documento para interoperabilidade em nível mundial. A entidade rejeitou também um protesto feito pelo governo brasileiro contra essa decisão.
O desafio brasileiro foi capitaneado pela Vice-presidente de Tecnologia da Caixa Econômica Federal, Clarice Copetti, ao anunciar a assinatura deste Protocolo, na cerimônia de abertura do Congresso Internacional Sociedade e Governo Eletrônico - Consegi 2008, que acontece, em Brasília.
O evento é promovido pelo Serpro, Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação e instituições parceiras e acontece no Centro de Eventos e Treinamentos da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio - CNTC.
O anúncio desta quarta-feira sobre a intenção de adotar o padrão ODF, como formato documento público do governo brasileiro, certamente, obrigará aos demais órgãos, não signatários deste documento, dentro do espírito da "interoperabilidade", a mudarem os seus procedimentos, de forma a assegurar, mesmo que "na marra", a publicação e também a leitura de documentos oficiais nesse formato. Muitos órgãos que ainda adotam plataformas Microsoft e contavam com o padrão OXML deverão sentir o peso desse protocolo sobre seus ombros.
Clarice Copetti defendeu que a adoção do padrão ODF irá assegurar "a troca de documentos entre os órgãos de forma efetiva". Isso, evidentemente, se todos adotarem esse formato. A executiva observou que os organismos - ainda não signatários desse novo Protocolo - deverão fazê-lo, em breve, uma vez que ele "é uma consolidação da vontade do Governo Brasileiro em direcionar a sua estratégia de adoção de padrões abertos para documentos".
"Deixo explícito para o mercado nacional e internacional o que este governo ou estas empresas e instituições estão planejando fazer sobre padrões de documentos. É uma mensagem aberta, sem dúvida nenhuma, para que o mercado possa apressar, se ajustar, aos serviços de suporte ao maior comprador do mercado brasileiro e, eu diria o maior comprador mundial, que é o governo brasileiro, através de suas instituições e empresas públicas", declarou Clarice Copetti.
O padrão ODF foi aprovado como norma nacional pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), sob o código NBR ISO/IEC 26.3000. Ele é, também, o padrão de armazenamento de documentos da arquitetura e-Ping - Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico - criado pela SLTI.
Mas o órgão contrariou a Comunidade do Software Livre, ao apenas "recomendar" a adoção do ODF - como modelo de padrão de documento para uso na Administração Federal. As declarações de Clarice Copetti na abertura do Consegi 2008 foram uma dura pancada no Secretário de Logística e TI do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, que participava da mesa da solenidade e a tudo ouviu calado.
Involuntariamente ou não, a vice-presidente de TI da Caixa Econômica Federal, Clarice Copetti, chegou a cometer uma "gafe política". Em seu discurso, ela fez rasgados elogios a Marcos Mazoni, presidente do Serpro, e à Embaixatriz, Ana Amorim, mulher do Chanceler, Celso Amorim e funcionária do Serpro, pela iniciativa de realização do Consegi 2008. Mas em nenhum momento citou o outro "parceiro" no evento: O secretário Rogério Santanna (SLTI).
Fonte: Convergência Digital
Ler mais: Blog do Cézar Taurion
Ler mais: Governo Eletrônico










