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OOoCon2008 – Uma aventura na China – parte I

O OpenOffice.org Conference, ou OOoCon para os íntimos, é a conferência anual do OpenOffice.org que, pela primeira vez, ocorre fora da Europa, tendo como sede, nada mais, nada menos, que em Beijing, na China. É no OOoCon que encontramos os principais desenvolvedores do projeto, a grande maioria empregados da Sun, seguidos da Novell, IBM e Red Flag, esta última, uma (primeira e se não a única) empresa especializada em FLOSS do país, além de outros desenvolvedores independentes, e não só de código, mas também de comunidade e mercado. O evento propriamente dito ocorreu dos dias 5 a 7 de novembro, mas como de prache, no dia 4 ocorreram as reuniões dos times, ou como eles dizem “meetings”, do Conselho Geral, Marketing, Idioma Nativo, Interface, entre outros. Assim, a idéia é contar um pouco de todo o evento que, sem sombras de dúvidas, foi o maior já realizadoem seus 6 anos de vida.

A chegada em Beijing foi tranquila e tive a oportunidade de encontrar Nicolas, do time de UI (Interface do Usuário), que vinha da Alemanha e também ia para o mesmo hotel, o Beijing Friendship Hotel. Este foi o principal hotel onde todos os palestrantes estavam hospedados, ou melhor, em apenas um dos blocos (bloco 3), juntamente com muitos participantes.

As primeiras impressões da China é que tudo é MUUUITOOO grande e distante. Beijing é uma cidade gigante e qualquer “caminhada próxima” são seus 20-30 min. Como é uma cidade planejada, adotaram um esquema parecido ao de Brasília, com super quadras, onde existem dezenas de entradas para dentro destas quadras, onde se encontra a parte residencial da cidade. No exterior das quadras permanece o mercado local. Assim, a viagem do aeroporto até o hotel foi uma viagem de 1h. Beijing é uma metrópole como tantas outras, mas é possível ver uma curiosa mescla entre o velho e o novo, pois devido as melhorias exigidas pelo comitê olímpico para receber as Olimpíadas este ano, a cidade melhorou muita coisa, principalmente para o estrangeiro. A parte “velha” ou “normal”, ou seja, as partes que ainda não receberam as melhorias, me fez lembrar muito o Brasil (com a diferença q eles têm os olhos puxados). 😉 A diferença de fuso horário é algo brutal, sendo 7h de diferença com a Espanha, onde moro atualmente, e 11h em relação ao Brasil. Literalmente, estão do outro lado do mundo. No mais, se tiver um bom inglês (rasoável já vale) pode contar com uma estadia muito boa na cidade.

Ainda perdido com a diferença de fuso horário, encontrei mais um amigo alemão e, junto com Christopher, fomos a um antigo templo “ao lado” do hotel. Foram seus 30 min de caminhada por uma das avenidas da cidade. Para ter uma idéia, foram quase 2km andando para percorrer 3 ou 4 quadras, vendo todo o tipo de lojas, pessoas, trânsito e bicicletas…. como tem bicicletas em Beijing. O mais incrível é que o trânsito parece caótico, a buzina é um item indispensável para andar e não acontece acidentes. Brasil é complicado o trânsito, mas aqui é muito mais. Quando chegamos, já estava fechando e resolvemos tirar as fotos que foram possíveis, ver o que poderiamos comprar e voltamos, pois precisávamos descansar e tentar se ambientar às mudanças, pois no outro dia iniciaria as reuniões.

Chega terça-feira e vou para o café da manhã. Quando estava tentando entender o porque não era possível colocar o custo na minha diária (sim, o café é a parte lá, alias, eles NÃO TOMAM café, mas conto mais depois) Jesus Currios, amigo e coordenador do grupo catalão me viu e chamou para tomar café juntos. Foi o lugar mais estranho que já vi, pois além do pão, mexido de ovos e o café em si, o resto era uma incógnita do que era, pois os cheiros são extremamente diferentes dos outros lugares que já visitei. Ah! tinha frutas, e estas também eram conhecidas, como melão e melância.

No café também encontramos muitas outras pessoas conhecidas, entre elas, Sophie Gautier, líder da comunidade francofônica, Jaqueline e Andre Schnabel, do grupo alemão, onde entendemos que as reuniões só aconteceriam pela tarde, nas dependências da Sun Microsystems, e teríamos a manhã livre. Assim, fomos conhecer o Zoológico de Beijing, que sem dúvidas é um excelente passeio para quem visitar a cidade, desde que dedique um dia inteiro para este fim e relativamente corrido para ver tudo. Quando vimos, eram 13h e precisávamos ir embora. Ao sair, vemos um terminal de ônibus do outro lado da avenida (com 5 pistas para cada mão) na base de que parecia ser um shopping popular. Como procurávamos algum lugar para comer, resolvemos ir até lá. Ao chegar, vimos o que era na verdade: um shopping chinês com uns 200m de largura por mais uns 50 de profundidade, com 5 andares de lojas. Para quem já foi num shopping chinês na Rua 25 de Março, em São Paulo, multiplique por 4. Em resumo, o sonho de consumo de qualquer mulher (fiquei pensando na minha) 😉 pois tem absolutamente de tudo em roupas, calçados, bolsas e maquiagem, e com preços extremamente atrativos, principalmente para quem tem a (incrível !!!) habilidade de negociar preço. Depois de achar um cinto para o Jesus, fomos para a sede da Sun Microsystem, no mesmo lado da cidade. E lá se foram mais 50 min de taxi com um bom trânsito. Ao chegar na Sun, tivemos alguma dificuldade para achar o local, já que o escritório ficava dentro de um conjunto comercial muito sofisticado, no meio de muitas outras empresas de tecnologia locais e internacionais, como o Google. Ao final, conseguimos chegar até a reunião do Conselho, e descobrimos o local e horário das demais reuniões do dia.

Este ano, devido às dificuldades de uma viagem à China, como custos de viagem e vistos, muita gente do núcleo não pôde ir, de forma que pessoas como Charles-H. Schulz, Jonh McCreesh e Florian Effenberger, talvez diminuindo um pouco a qualidade das reuniões. Assim, iniciamos a de Marketing e Native Language, as que participei, onde foi abordado as ações de marketing em alguns lugares e comunidades como meio de fortalecer o projeto, respectivamente.

Na reunião de Marketing, Ítalo Vignoli, da Itália, repassou rapidamente os pontos que estão no *wiki do projeto* e comentou que os blogs dele e outro colega de seu país estão sendo monitorados pela M$, que iniciou uma campanha mais agressiva na Europa a respeito do M$ Office 2007. Comentei a respeito do nosso trabalho e sobre como estamos sentindo a pressão, que para mim é mínima por parte de ferramenta de escritório. Louis Suarez-Potts, gerente geral de comunidades do OOo, comentou que precisamos aumentar a comunicação entre os pontos, buscando entender as ações que estão dando certo em outros países, tal como no Brasil, e adaptar para a realidade de outros países. Neste momento, já achei muito gratificante todo o trabalho que temos feito e de ver que estamos num caminho acertado.

Já na reunião de idioma nativo, as questões foram mais duras, como o de porquê não temos tanta contribuição como poderíamos ter em muitos países, ou de ter pouca penetração em outros, entre outras questões. Neste ponto, de novo o exemplo do Brasil foi utilizado, mas desta vez de maneira intensiva. Louis comentou a respeito dos nossos trabalhos através de redes sociais (os gubros), da nossa revista, da relação Comunidade – Governo através da OSCIP BrOffice.org – Projeto Brasil, sobre os modelos de relação institucional, nossa forma de se relacionar com outras comunidades como o exemplo da Galícia, através do trabalho com os galegos para produzir a revista para a gente daquela região, entre outras coisas. No entanto, reforçou nossas dificuldades de comunicação, de fazer as informações circularem e sobre como no fim acabam se tornando ilhas. Outra coisa que achei *muito importante* foi o fato de COMO fazer este trabalho. Trabalhar em comunidade, acima de tudo, tem que ser DIVERTIDO! (/Be fun!/) 😀

Tirando a parte do “puxão de orelhas” pela dificil comunicação que temos, me senti muito orgulhoso por todo este trabalho que, junto com muitos de vocês que estão lendo este artigo agora e que ajudam o BrOffice.org de alguma forma em um de seus tantos projetos, está nos permitindo mudar o nosso país e servindo de modelo para outros. Da minha parte, sei que tenho ainda mais trabalho por fazer, mas deixo este convite para que você também participe da nossa comunidade.

Por hoje, chegou ao fim do primeiro dia e vamos dormir. 😉

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